O fim do som

Ruídos.   A rádio mal sintonizada, o barulho do motor, o ranger dos bancos velhos e mal regulados. Uma conversa quase inaudível de duas senhoras já de certa idade. Por fim, as janelas que já não fecham mais.

Aos poucos tudo isso vai se transformando, se juntando e formando uma espécie assustadora de coisa nenhuma, que amedronta, que faz o coração bater mais rápido e traz à cabeça pensamentos inquietantes. A medida que estes pensamentos aparecem e se encadeiam fica difícil perceber a sonoridade das coisas de fora. Cada vez mais o som externo é absorvido e transforma-se em motivação.

Um barulho alto, cheiro de pólvora no ar, gritos de pessoas. E ele, definitivamente, não ouvirá mais nada.

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